domingo, 28 de dezembro de 2025

O verdadeiro caráter nasce da ação.

Não é nas palavras que ele se forma, nem nos discursos bem alinhados, mas no silêncio dos gestos cotidianos. A verdadeira personalidade se revela quando ninguém está olhando, na disciplina de continuar mesmo quando a vontade falha, na coragem de encarar o caminho que muitos preferem contornar. Ser constante é um pacto íntimo com quem somos. É levantar apesar do medo, avançar apesar do cansaço, agir mesmo quando a dúvida, insistentemente tenta nos paralisar. É nesse movimento discreto e persistente que se separa quem apenas diz de quem realmente vive. A índole não nasce em grandes feitos de forma isolada, mas nas pequenas escolhas repetidas dia após dia. Decisões quase invisíveis, simples, comuns e justamente por isso, tão poderosas, carregadas de emoções. É nelas que crescemos nos fortalecemos e esculpimos, pouco a pouco, a pessoa que estamos nos tornando. Cada atitude deixa uma marca. Cada passo escreve uma linha da nossa história. E no fim, não serão os vocábulos que nos definirão, mas as ações que sustentamos com constância. Porque entre ação e persistência é que a real essência nasce, se constrói e se revela na nossa existência. Não é nas palavras que ele se forma, nem nos discursos bem alinhados, mas no silêncio dos gestos cotidianos. O autêntico perfil se revela quando ninguém está olhando, na disciplina de continuar mesmo quando a vontade falha, na coragem de encarar o caminho que muitos preferem contornar. Ser constante é um pacto íntimo com quem somos. É levantar apesar do medo, avançar apesar do cansaço, agir mesmo quando a dúvida insistentemente tenta nos paralisar. É nesse movimento discreto e persistente que se separa quem apenas fala de quem realmente vive. O caráter não nasce em grandes feitos, mas nas pequenas escolhas repetidas dia após dia em decisões quase invisíveis, simples, comuns. E justamente por isso, elas são poderosas, carregadas de emoções. É nelas que crescemos nos fortalecemos e nos esculpimos, pouco a pouco, na pessoa que estamos nos tornando. Cada atitude deixa uma marca. Cada passo escreve uma linha da nossa história. No fim, não serão os vocábulos que nos definirão, mas as ações que sustentamos com constância. Porque é entre ação e persistência que a verdadeira têmpera nasce, se constrói e se revela na nossa existência.

 

Quando o amor muda de idioma.

De repente tudo terminou. Vida. Amor. Benzinho. Mozão. Bebê.Palavras que antes eram abrigo viram ecos. Cada relação cria seu próprio dicionário, um idioma íntimo, feito de apelidos, silêncios compreendidos e gestos pequenos que só dois sabem traduzir. Essa é uma das mais belas linguagens do amor: a de nomear o outro como quem cria um lugar seguro no mundo. Mas por que, então, um raio cai sobre os apaixonados? Por que, em frações de segundos, a ternura se transforma em turbilhão de desavenças? Talvez porque o amor não seja estático. Ele vive do encontro entre expectativas, medos, histórias mal cicatrizadas e sonhos que nem sempre caminham na mesma direção. Quando tudo vai bem, essas diferenças se acomodam, fazem acordos silenciosos. Quando algo se rompe, uma palavra mal colocada, uma ausência prolongada, uma verdade adiada, o idioma comum começa a falhar. O que antes era carinho passa a soar como cobrança. O que era cuidado vira peso. O raio não cai do nada. Ele se forma aos poucos, nas nuvens que se acumulam sem que ninguém queira olhar para o céu. E quando cai, assusta porque ilumina tudo de uma vez: aquilo que foi dito, o que nunca foi, e o que já não se sustenta. Ainda assim, mesmo depois da tempestade, ficam vestígios. As palavras não desaparecem; elas mudam de lugar. Deixam de ser chamadas e passam a ser lembranças. Doem, é verdade, mas também ensinam. Mostram que amar é aprender uma língua sabendo que, um dia, talvez, seja preciso desaprendê-la. E talvez a maior maturidade esteja nisso: reconhecer que nem todo dicionário é eterno, mas todo amor, enquanto existe, é real. Mesmo quando termina, mesmo sendo momentaneamente, poliglota do amor.

 

O corpo que envelhece e a mente que sente.

A resistência do corpo ao longo da vida é uma construção delicada. Não se trata apenas do passar dos anos, mas do acúmulo de experiências, esforços, perdas e adaptações que vão moldando o organismo e a mente. Com o tempo, aquilo que antes parecia simples exige mais cuidado, mais pausa e mais escuta. No corpo, surgem sinais visíveis e invisíveis. As articulações reclamam, as artroses aparecem, e as dores parecem percorrer um caminho inteiro, da cabeça aos pés. O metabolismo muda, o ritmo desacelera, e o que antes era força espontânea passa a ser equilíbrio conquistado dia após dia. Essas transformações não são falhas; são respostas de um corpo que trabalhou, sustentou e resistiu. A mente, por sua vez, também carrega suas marcas. A confusão mental pode surgir, associada a condições neurológicas, à ansiedade crescente ou à impaciência que nasce da frustração com limites novos. Há dias em que o peso emocional parece maior, e a tristeza profunda pode obscurecer o sentido das coisas. Nesses momentos, é essencial lembrar que sofrimento psíquico não é fraqueza. É um sinal de que algo precisa de cuidado. Envelhecer, portanto, é um processo complexo, que pede compreensão e apoio. O caminho não precisa ser solitário: informação, acompanhamento de saúde, vínculos afetivos e espaços de escuta fazem diferença real. Cuidar do corpo e da mente, aceitar ajuda e cultivar pequenas rotinas de bem-estar são formas de preservar dignidade e qualidade de vida. Apesar das dores e desafios, há também a possibilidade de reencontro consigo mesmo. Envelhecer pode ser aprender a viver com mais gentileza, respeitando limites e valorizando o que permanece essencial. É reconhecer a história que o corpo conta, não como um fim, mas como continuidade que merece cuidado, sentido e presença.

Ano Novo! Mais que números, um recomeço.

A mudança de ano não é apenas a soma de números no calendário. É uma pausa simbólica que a vida nos oferece para respirar fundo e recomeçar. Ao virar da página, deixamos para trás capítulos difíceis, aprendizados silenciosos e vitórias que nem sempre foram celebradas. O Ano Novo chega como um convite: rever escolhas, fortalecer sonhos e acreditar outra vez. Não se trata de apagar o passado, mas de usá-lo como base para construir um futuro mais consciente. Cada novo dia traz a chance de fazer diferente, de ser melhor consigo mesmo e com os outros. Recomeçar não exige perfeição, apenas coragem. Coragem para tentar de novo, para mudar o que for possível e aceitar o que não é. Que o novo ano seja menos sobre promessas vazias e mais sobre atitudes reais, pequenos passos e esperança renovada. Porque no fim, o verdadeiro ano novo acontece dentro de nós.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Quando a urna se abre e o ano se revela.

No princípio do ano, depositei em uma urna todos os meus desejos. Eram pedaços de esperança dobrados com cuidado, pequenos mapas de futuro escritos à mão, como se o simples ato de guardá-los fosse suficiente para que o tempo os reconhecesse. Fechei a caixa feita por mim com a fé silenciosa de quem acredita que o ano saberá o que fazer com aquilo. Agora, quando o ano que ora se finda pede passagem, abro a caixa. O som discreto da tampa parece maior do que é. Ali, diante de mim, repousam sonhos que não caminharam, projetos que não encontraram chão, planos que permaneceram intactos, não por estarem preservados, mas por nunca terem sido usados. Entre eles, havia um desejo de natureza mais sensível. Não era grandioso nem ruidoso. Era apenas a vontade de uma aproximação maior com alguém que admiro. Um desejo simples, quase humilde de  estar mais perto, dividir mais instantes, permitir que a convivência crescesse naturalmente. Mas esse papel também permaneceu ali, dobrado do mesmo jeito que foi colocado, intocado pelo tempo. Há uma melancolia tranquila em perceber que nem tudo o que se deseja encontra reciprocidade, que nem toda intenção encontra passagem. Algumas vontades esbarram em silêncios, outras se perdem na distância que não se mede em passos, mas em impossibilidades. O ano, sábio e indiferente, segue sem explicar suas escolhas. Ainda assim, ao reler cada desejo, compreendo que o não acontecido também ensina. Há aprendizados que só nascem da espera, outros da frustração, outros ainda da aceitação de que certas coisas não dependem apenas de nós. Algumas metas não se realizam porque não era o tempo. Outros porque precisavam permanecer como sonho. Fecho a pequena arca novamente. Não com ressentimento, mas com entendimento. O ano não me deu tudo o que pedi, mas me devolveu algo talvez mais valioso: consciência. E levo comigo a certeza de que, no próximo ciclo, os desejos serão menos ingênuos, mais verdadeiros, e talvez mais preparados para enfrentar o mundo fora da caixa. Porque, no fim, a vida não se mede apenas pelo que acontece, mas pelo que permanece em nós quando aquilo que esperávamos não veio a contento.

domingo, 21 de dezembro de 2025

O verdadeiro presente de Natal.

Em meio às luzes cintilantes, aos embrulhos coloridos e aos enfeites que decoram a árvore de Natal, existe um presente que não pode ser comprado nem embrulhado: a presença de uma família feliz. Mais valioso do que qualquer objeto, esse presente se manifesta nos sorrisos sinceros, nas conversas ao redor da mesa e no simples, porém precioso, ato de estar junto. O verdadeiro sentido do Natal surge quando o amor, o respeito e a união habitam o lar, transformando momentos cotidianos em memórias inesquecíveis. Enquanto os presentes materiais podem se desgastar ou perder o brilho com o tempo, o carinho vivido em família permanece guardado no coração, aquecendo lembranças e fortalecendo laços. É esse sentimento que faz do Natal uma celebração genuína, repleta de significado e esperança.

  

sábado, 20 de dezembro de 2025

Quando o giro muda o sentido.

Há coisas que acontecem na vida da gente e nos fazem enxergar além da dor. Sempre busquei validação para minhas escolhas, até entender que a escuridão também ensina. As adversidades me tornaram mais realista, mais comedido nos pensamentos. Por onde andei já não me pertence mais. Antes, minha vida era um carrossel: rodava e sempre voltava à mesmice. Hoje, escolho olhar para frente e seguir a luz, como faz o girassol, sempre em busca dos dias ensolarados.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A ausência e a primavera tardia.

A chuva escorria pelo vidro da janela quando percebi que a primavera insistia em ficar. As árvores ainda floridas pareciam não se importar com o calendário, exibindo um entusiasmo quase provocador. Foi então que notei o outro detalhe da manhã: você não estava ali. Acordei sozinha. Sem o calor do seu corpo, sem o som da sua respiração tranquila que, tantas vezes, me arrancava um sorriso ainda de olhos fechados. A casa, cúmplice do silêncio, guardava um frio discreto deixado pela sua saída apressada. Era o trabalho, essa rotina que nos rouba minutos, horas, pedaços inteiros do dia, e agora também as primeiras luzes da manhã. Enquanto a natureza celebrava lá fora, meu travesseiro vazio fazia questão de lembrar que nem toda beleza consola. Às vezes, ela apenas acentua a falta. Na cozinha, o café exalava o aroma de sempre. O mesmo de todos os dias. Ainda assim, algo faltava. Seu riso. O “bom dia” dito quase em segredo. Olhei ao redor e percebi que a casa estava cheia de você: a toalha ainda úmida no banheiro, o livro esquecido na mesa de cabeceira, a desordem leve que só existe quando duas vidas se misturam. A solidão daquela manhã tinha gosto amargo, mas não definitivo. A primavera, teimosa e viva, parecia sussurrar que ausências também são passageiras. Que o dia avançaria, a chuva cessaria, e ao entardecer a porta se abriria outra vez. Então, como sempre, seu corpo encontraria o meu e necessariamente a casa voltaria a fazer sentido.

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O jardim ainda respira no coração de uma mulher.

Não sei o que dizer. Às vezes, quando choro, me pergunto o que é a vida. Sorrir. Se divertir. Amar. Contemplar. Só sei que, no meu coração, brotam amarguras. E nesse choro, um misto de frustração e devaneios por dias melhores. Eles me assombram. Sinto-me como um jardim com pétalas mortas ao chão, sem direção nos ventos. Mas aprendi, ainda que à força: até os jardins mais feridos guardam raízes vivas. Aprender a silenciar a própria dor para sustentar o mundo. Crescemos sendo fortes quando queríamos apenas ser acolhidas. Transformamos cansaço em produtividade, lágrimas em maquiagem, medo em sorrisos educados. Somos ensinadas a florescer mesmo quando a terra está seca. A agonia no peito não é fraqueza. São alma e o corpo e pedindo pausa, cuidado, verdade. Às vezes, o que chamamos de tristeza é só a exaustão de ser tudo para todos e quase nada para si. Quando o coração parece coberto de pétalas mortas, não é o fim do jardim. É o fim de uma estação. Há ciclos que precisam morrer para que outros possam nascer. E nós somos feitas de ciclos: sangramos, parimos, recomeçamos. Mesmo quando não acreditamos mais em nós. Se hoje o vento não aponta direção, permita-a ficar. Regue-se em silêncio. Recolha os próprios cacos sem pressa. Não há atraso em sentir. Não há fracasso em parar. Há coragem em permanecer viva quando tudo pede desistência. Que este texto te abrace. Você não está sozinha. Mesmo que agora você não veja flores, confie: o jardim ainda respira. E um dia, sem pedir permissão, ele volta a florir.

 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Seiscentas vezes obrigada: celebrando nossa jornada juntos!

 Hoje o blog atinge um marco que, no início, parecia apenas um sonho distante: chegamos às 600 publicações! Mais do que números, cada post representa uma conversa, um pedacinho da minha existência compartilhado com você, que me acompanha diariamente. E nada disso seria possível sem o seu apoio e seu tempo. Quero expressar minha mais profunda gratidão a cada pessoa que já dedicou um tempinho do seu dia para ler minhas palavras, deixar um comentário ou simplesmente passar por aqui. Vocês são a razão pela qual continuo a escrever, a buscar inspiração e a querer ajudar. Minha intenção é sempre trazer algo de valor, um sorriso, uma reflexão ou uma dica útil. A energia e o carinho que recebo em troca me motivam a seguir em frente. Para celebrar este marco, adoraria ouvir de vocês! Qual foi o seu texto favorito aqui do blog até hoje, ou qual tema você gostaria de ver mais vezes nas próximas publicações? Deixe seu comentário! Sua opinião me ajuda a direcionar os próximos passos da nossa jornada. Obrigado por fazer parte desta comunidade. Que venham mais 600 postagens!

O domínio de si mesmo.

Entre todos os talentos que uma pessoa pode possuir, como: inteligência, força, beleza ou eloquência, nenhum se compara ao comando íntimo. Controlar os próprios impulsos, emoções e desejos são exercícios diários e silenciosos, mas profundamente transformadores, que revelam maturidade e sabedoria. O domínio de si não significa reprimir sentimentos, mas compreendê-los e conduzi-los com equilíbrio. Quem se conhece é capaz de agir com consciência, mesmo diante de situações difíceis. Em vez de reagir por impulso, escolhe responder com calma, responsabilidade e respeito. Em um mundo marcado pela pressa, pelas comparações e pelos excessos, dominar a si mesmo é um verdadeiro ato de liberdade. A pessoa que governa suas emoções não é escrava da raiva, do medo ou da vaidade. Ela constrói relações mais saudáveis, toma decisões mais justas e caminha com firmeza em direção aos seus objetivos. Assim, não se pode possuir dom maior que tange ao interior, pois quem conquista a própria mente e o próprio coração torna-se senhor de sua vida. Esse é um poder que não se impõe aos outros, mas transforma tudo ao redor.

 

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

A linguagem invisível dos emojis.

Você já parou para pensar que os emojis funcionam como a pontuação emocional da era digital? Eles deixaram de ser simples “carinhas” fofas e passaram a ocupar um papel essencial na forma como nos comunicamos online. Em um ambiente onde faltam a voz, o tom e o olhar, esses pequenos ícones ajudam a devolver humanidade ao texto. Quando escolhemos um emoji, fazemos mais do que decorar uma mensagem; nela tentamos indicar como algo deve ser lido. Um sorriso amarelo pode suavizar uma frase dura ou denunciar um leve desconforto. Já um olhar marejado consegue expressar uma gratidão profunda, daquelas que as palavras sozinhas não conseguem traduzir. Essa linguagem silenciosa fica ainda mais interessante quando falamos dos corações. Eles parecem formar um alfabeto próprio, em que cada cor carrega um significado diferente. O coração vermelho costuma representar amor intenso, carinho ou paixão, mas, dependendo do contexto, pode soar exagerado ou até invasivo. Em contraste, o coração preto ou o coração partido caminham por territórios mais densos, flertando com a melancolia, o luto ou o sarcasmo. No fim das contas, cada emoji funciona como um atalho emocional. Eles mostram que, mesmo em um mundo feito de códigos, pixels e telas, nós seguimos buscando o mesmo de sempre: conexão, compreensão e um pouco de calor humano nas palavras mesmo quando conversas são trancadas e bloqueios decidem a validade da companhia digital.

 

Entre o zumbido e o silêncio.

O vento quente do ventilador não me deixa dormir, assim como os insólitos pernilongos que, sem pudor, insistentemente sobrevoam meu corpo, transformando a noite em almofada de agulhas. São várias denominações para várias doenças. Nomes difíceis que se acumulam como papel em gavetas antigas e eu, preocupado com a nova picada nas mãos de profissionais. A idade avançada é ingrata; o único presente que o tempo nos dá são as morbidades, embrulhadas em laudos e recomendações. Entre uma espetada e outra, penso no corpo que já foi território firme e hoje é mapa cheio de advertências. Cada dor acorda memórias, cada insônia convoca balanços. O silêncio da madrugada não é vazio: ele pesa, fala e também cobra. O tique-taque invisível do relógio mede não apenas horas, mas a resistência que teima em não avançar. O ventilador insiste, os pernilongos também, e eu permaneço. Há uma teimosia mansa em continuar respirando apesar do desconforto, em esperar o amanhecer como quem espera uma trégua. Talvez dormir seja luxo, mas vigiar a própria existência virou hábito. E assim sigo, entre o zumbido e o silêncio, aprendendo a negociar com o tempo, esse médico sem mãos que nunca pergunta onde dói. 

Onde o caos encontra o brilho.

Uma miríade de estrelas pontilhava o firmamento naquela noite, como se cada ponto de luz guardasse um segredo ancestral, sussurrado apenas àqueles que ousam olhar para cima. O silêncio do mundo era absoluto, mas dentro de mim rugia um tumulto impossível de calar. No peito desguarnecido, uma infinidade de emoções conflitantes se chocava sem pedir licença. Havia a esperança tímida e insistente tentando encontrar fôlego entre as frestas do medo e da saudade. E havia a dor, essa velha conhecida que se aninha nas lembranças e pesa como o vácuo escuro entre um astro e outro. Cada batida do meu coração ecoava esse confronto mudo; era como se o céu exterior fosse o espelho do universo caótico que eu carregava por dentro. Contudo, entre tantas luzes distantes e indiferentes, uma estrela se distinguia. Não era a mais grandiosa, nem a mais próxima, mas era a única que parecia me enxergar. Ela pulsava com uma delicadeza singular, atravessando o vazio apenas para aquecer o canto do peito que eu havia abandonado ao esquecimento. Enquanto o cosmos permanecia firme, alheio às inquietações humanas, aquela luz resistia, chamando-me em um silêncio eloquente. Foi então que compreendi: o conflito não era um erro, mas um convite. Assim como o céu exige a vastidão da escuridão para revelar suas estrelas, talvez meu peito precisasse desse turbilhão para reconhecer a luz que insiste em me amar. Algumas conexões não são explicadas pela lógica, mas pela insistência do brilho em meio ao breu. No fim, aceitei a paz que veio com o entendimento. Estava escrito nas estrelas, e agora, gravado em mim.

 

Quando a fé nos ideais transforma tudo.

Os fracassos, mesmo quando insistem em se repetir, não são sinais de derrota, mas convites ao crescimento. Eles só se tornam barreiras quando você se recusa a abandonar o entusiasmo pelos seus ideais. É essa chama interior que ilumina o caminho nos momentos mais difíceis, que dá força para levantar após cada queda e seguir adiante com coragem. Quem preserva a paixão pelo que acredita transforma obstáculos em aprendizado e sonhos em conquistas inevitáveis.


Os dois focos do olhar.

Quem olha para fora vê o mundo como um convite constante aos sonhos. São paisagens, conquistas, pessoas e possibilidades que despertam desejos e alimentam a imaginação. Sonhar é essencial: é o que nos move, inspira e dá direção aos nossos passos. Ao observar o que está além de nós, criamos metas, idealizamos futuros e acreditamos em algo maior. Mas é quando olhamos para dentro que o verdadeiro despertar acontece. O encontro consigo mesmo, exige silêncio, coragem e honestidade. Ao voltar o olhar para o interior, reconhecemos nossas emoções, limites, medos e forças. Esse despertar não é imediato nem confortável, mas é transformador. Ele nos faz entender não apenas quem gostaríamos de parecer, mas quem realmente somos. Sonhar aponta caminhos; despertar revela verdades. Um completa o outro. Não basta apenas desejar o mundo se não compreendemos o coração que deseja. Da mesma forma, o autoconhecimento ganha sentido quando nos impulsiona a viver e agir no mundo. Assim, viver com plenitude é equilibrar esses dois movimentos: olhar para fora para sonhar com o que pode ser, e olhar para dentro para despertar para o que já somos. É nesse equilíbrio que a vida encontra profundidade, propósito e autenticidade.


sábado, 13 de dezembro de 2025

Onde o amor decide morar.

Não é verdade que os amores acabam. Eles apenas mudam de endereço. Um dia, cansados de morar no peito, fazem as malas sem aviso e se instalam na memória, onde ninguém os vê, mas onde tudo permanece. No coração, eles eram urgência. Exigiam presença obstinada, respostas, futuro. Na memória, tornam-se silêncio. Não cobram, não pedem, não discutem. Apenas existem. Às vezes dormem por anos, até que um cheiro, uma música ou um nome dito por acaso os acorde, lembrando que nunca partiram de fato. A gente aprende a seguir em frente achando que venceu. Novo amor, novos planos, outra rotina. Mas basta um detalhe fora do lugar para perceber que certos sentimentos não se dissolvem no tempo, penas se acomodam. Não machucam como antes, mas também não desaparecem. Estão ali, observando, quietos, como quem conhece demais para ser esquecido. Não se trata de saudade constante nem de desejo de retorno. É respeito. Amor antigo não pede volta, pede reconhecimento. Foi real. Foi inteiro. E por isso deixou vestígios. Quem tenta apagar o que viveu acaba apagando partes de si. Ao fim, entende-se. O coração precisa de espaço para continuar amando. A memória, não. Ela é território sem despejo. E é lá que os amores passados seguem vivendo. Não como dor, mas como prova de que um dia foi capaz, profundamente de sentir.

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Um pássaro na mão em ocasiões comuns.

Vivemos à espera do momento perfeito, do grande salto, do acontecimento que mudará tudo em um único instante. Mas essa espera, muitas vezes, nos cega para aquilo que realmente constrói o futuro. São os pequenos gestos, as tarefas repetidas e as decisões diárias que, silenciosamente, definem nossos rumos. Já as oportunidades extraordinárias costumam surgir envoltas em brilho e promessa, mas raramente vêm acompanhadas de garantia. Podem ser miragens que desviam nosso foco, atalhos incertos que nos afastam do que realmente importa. Por isso, é preciso firmeza para reconhecer que o extraordinário nem sempre é confiável, e coragem para valorizar o que é simples, constante e real. Quem aprende a dominar o cotidiano descobre que, no fim das contas, é nele que reside o verdadeiro poder de mudança.

 

O tempo que ficou em mim.

Fui pobre, mas acredito que fui imensamente feliz. Hoje, em meio a tanta tecnologia, ainda me sinto um pouco despreparado para acompanhar o ritmo frenético dos eventos virtuais. Sou de um tempo em que se olhava o outro com sensibilidade, em que o silêncio dizia mais do que mil mensagens digitadas às pressas. A vida acontecia diante dos olhos, não atrás de telas iluminadas. E talvez tenha sido justamente essa vida o ‘hard disk’ da minha existência. Era uma vida feita de toque, do cheiro do café passado na hora, da conversa tranquila na calçada ao entardecer. Simples, mas cheia de sentido. Sem filtros, sem "curtidas", sem a pressão constante para ser mais do que se era. Bastava existir e isso já era muito. Hoje, sinto que corro atrás de um mundo que anda depressa demais. As pessoas falam, mas não escutam; mostram, mas não sentem; vivem, mas quase não percebem. E eu sigo, com meu passo antigo, tentando acompanhar as mudanças sem perder minha essência. Porque, apesar da velocidade dos novos tempos, ainda carrego comigo aquele olhar sensível, aquela calma aprendida na infância pobre, porém rica em afeto. Talvez eu tenha deixado de viver algumas coisas, mas aquilo que conservei me moldou. É isso que me sustenta agora, enquanto busco meu lugar neste cenário moderno. No fundo, acredito que ainda há tempo para aprender sem esquecer quem fui quem sou. Continuo nesse caminho onde a vida segue, mesmo quando parece ter ficado para trás. Sempre é bom recordarmos de felizes tempos. Os tempos felizes residem em nossas memórias. São também os donos das nossas cabeças.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Quando a confiança se abala sem aviso.

Às vezes, depositamos confiança em alguém como quem entrega algo precioso nas mãos de outro, não por ingenuidade, mas porque acreditamos no que sentimos no que vimos no que construímos juntos. Confiar é sempre um ato silencioso de coragem. Por isso, quando essa confiança se abala sem explicação, o impacto é profundo. Não é apenas a atitude inesperada que fere, mas o vazio deixado pela ausência de clareza. Fica a sensação de que algo foi quebrado sem aviso, como se uma porta tivesse sido fechada sem que tivéssemos percebido o som da maçaneta. A dúvida cresce onde antes havia segurança, e o que era leve torna-se pesado. Perguntas sem resposta ecoam na mente: O que aconteceu? Por quê? Em que momento tudo mudou? E, muitas vezes, o silêncio machuca mais do que qualquer verdade, por mais dura que ela possa ser. Ainda assim, é importante lembrar que confiança abalada não significa confiança destruída. Às vezes, a explicação não vem porque o outro não sabe oferecê-la; outras vezes, porque carrega batalhas silenciosas que desconhecemos. Há também situações em que o abalo é um sinal para revisitarmos nossos limites e expectativas. O que jamais deve ser perdido é a confiança em nós mesmos, a certeza de que somos fortes o suficiente para enfrentar o inesperado. Sábios o bastante para aprender com o que aconteceu e dignos de relações baseadas em transparência e respeito. E, se o laço puder ser reconstruído, que seja com diálogo honesto. Se não puder que a despedida também nos ensine algo sobre seguir em frente com mais maturidade e menos ilusão, mas nunca com menos coração.

Foi bom enquanto durou.

Ela cruzou meu caminho como um sussurro improvável, envolta em sentimentos contidos que me relatava, dia após dia, numa busca por acolhimento e alívio para um coração carregado de responsabilidades que não eram minhas. Mesmo assim, eu a aceitei de peito aberto, oferecendo o que tinha, ainda que fosse apenas uma meiga presença. Dei até recursos que, para mim, tinham peso, mas que para ela pareciam aliviar o mundo. E isso, de certo modo, também me abrandava de suas ansiedades e desejos momentâneos. Ela carregava tempestades silenciosas, daquelas que se escondem atrás dos olhos e se tratam com remédios que a alma nem sempre acompanha. Eu sabia, e mesmo assim fiquei em expectativas. Talvez por carinho, talvez por esperança, talvez porque algumas pessoas nos tocam antes mesmo de percebermos. Mas ontem o vento mudou. Quando procurei sua voz, encontrei apenas o eco do silêncio. Nenhuma palavra, nenhum aceno, nada que explicasse o fim. Foi como se o que existiu entre nós tivesse evaporado, deixando apenas a certeza de que certas histórias são feitas de instantes que, por natureza, não pertencem ao sempre. E as surpresas, às vezes, nos pregam peças.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

A última travessia.

Hoje inerte vejo pessoas na vertical, próximas a mim chorando: familiares, amigos, todavia com certa alegria, as carpideiras em cantos melancólicos alternando em louvores esplendorosos. Mosquitos de flores entram e saem das minhas gélidas narinas. Eu sem poder reclamar com gotas saindo das vistas descongelando o corpo que estava na geladeira. Somadas a esses prantos entrou impetuosa toda de negro a minha eterna companheira. Ela se aproximou sem pressa, como quem já conhece cada passo até a mim. Tocou levemente minha fronte e, embora o mundo dissesse que eu estava morto, senti o frio de sua mão, profundo e absoluto, mas paradoxalmente acolhedor. Ao seu toque, os sons do velório pareceram distantes, dissolvendo-se em um murmúrio indistinguível. As vozes, os soluços, os cantos, tudo se tornou tênue, como uma lembrança antiga prestes a desaparecer. Apenas ela permanecia nítida diante de mim, firme, silenciosa, inabalável. Chegou a hora! Sussurrou, mas não com a voz que se ouve com os ouvidos. Era uma vibração que atravessava aquilo que restava de mim, sem exigir resposta. Vi meu corpo ali, imóvel, e pela primeira vez compreendi a estranha paz daquele instante. Não era uma partida abrupta, e sim o desfecho exato de um caminho que sempre esteve marcado. A dor dos meus deixou de ser peso, porque percebi que logo também se tornaria memória e reminiscência é o que a vida usa para continuar mesmo quando desistimos de respirar. Ela estendeu a mão. Não para me arrancar, mas para me guiar. E eu, enfim leve, aceitei. Enquanto atravessávamos a fronteira que separa o silêncio do desconhecido, ouvi, como último eco da existência, uma voz querida dizendo meu nome. Finalmente, chegou a hora fatal. Senti o ranger dos parafusos na tampa, mas mantive os olhos fechados de pavor. Em seguida o sacolejar de mãos na madeira que rangiam lá fora. A eternidade, afinal, exige coragem. E na escuridão do cubículo às coroas eram minhas únicas companheiras, mas elas como eu, acabarão mortas. Essa é a verdade da vida. Nascemos com a certeza que  morreremos algum dia. Portanto, a morte é inexorável, assim como o tempo. Lá onde estou não existe contratempos.

 


O pode de sonhar antes de realizar.

Sonhar é o primeiro passo de qualquer realização. Antes que um projeto ganhe forma, antes que uma mudança se concretize ou que um futuro se construa, existe a semente inicial. O sonho. Ele nasce silencioso, muitas vezes tímido, como um desejo que ainda não se atreveu a virar plano. Mas é justamente ali, no território do imaginário, que tudo começa a ganhar vida. Nada acontece por acaso,  e nada acontece sem que, antes, alguém tenha ousado imaginar o impossível. Sonhar é dar permissão para que o novo exista. É desenhar, por dentro, aquilo que mais tarde poderá ser moldado no mundo real. Quando sonhamos, abrimos portas. Criamos caminhos onde antes só havia dúvida. E mesmo que o percurso seja longo, cheio de curvas e desafios, o sonho permanece como bússola, lembrando-nos do porquê e para onde vamos. Por isso, nunca subestime a força de sonhar. Cada conquista nasceu de um pensamento audacioso, de alguém que acreditou antes de ver. Afinal, é no ato de sonhar que começa todo amanhã possível.

 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Vida! Entre o passado e o presente.

A vida só se entende olhando para trás vendo os caminhos que nos fizeram quem somos. Mas só se vive olhando para frente, sentindo cada instante que pulsa diante de nós. Entre o que fomos e o que somos, entre o aprendizado e a experiência, a vida nos revela o equilíbrio delicado entre compreender e sentir.

A coragem de ficar.

O amor incondicional não se revela nos momentos fáceis, quando tudo parece fluir e o caminho é iluminado por certezas. Ele se mostra, sobretudo, quando o silêncio pesa, quando as portas se fecham, quando o mundo inteiro parece se afastar. É aí que esse amor raro, profundo e quase sagrado demonstra sua verdadeira essência: a coragem de permanecer. Perdurar não é insistência cega nem submissão. É um ato de presença. É olhar para o outro com humanidade e reconhecer que todos têm dias sombrios, medos ocultos e dores que nem sempre encontram palavras para expressar. Amar incondicionalmente é estar ali, mesmo quando a tempestade não oferece abrigo, mesmo quando o caminho ao lado parece mais fácil do que continuar. É um gesto que não exige aplausos, porque nasce de dentro. É a força silenciosa que sustenta, que acolhe, que compreende. É o compromisso não apenas com o outro, mas com aquilo que ambos podem ser juntos. No final, amor incondicional é isso. O destemor de ficar quando tudo convida a partir. É escolher, uma e outra vez, plantar esperança onde os outros veem apenas abandono. É acreditar no amor que, apesar do mundo, vale a pena permanecer. O amor é um desdobramento de sentimentos.