terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O plantio é livre, a colheita é obrigatória.

A vida não grita sentenças, não levanta martelos, não escreve condenações. Ela apenas observa e devolve. Cada escolha é uma semente. Algumas lançamos com cuidado, outras jogamos ao acaso, sem medir o vento nem o terreno. O cultivo é livre. Sempre foi. Somos livres para amar ou ferir, construir ou adiar, cuidar ou ignorar. Mas a colheita? Ah! A colheita é fiel. Ela chega no tempo certo, nem antes para poupar, nem depois para esquecer. Chega silenciosamente, carregando o peso exato daquilo que foi semeado. Não existe castigo. Não existe recompensa. Existe consequência. E tudo na vida tem um preço. Às vezes pago em lágrimas, às vezes em aprendizado, às vezes em paz, quando a escolha foi boa. A vida não pune. A vida ensina. E repete a lição até que a alma aprenda a plantar com mais consciência e colher com mais amor. Até no casamento, a vida não castiga nem recompensa. Ela apenas responde ao que foi plantado em palavras, gestos e ausências. Praticamente um abandono de rotinas.


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Quando o cérebro apronta.

Uma bola de cristal poderia dizer que ando atormentado, ansioso, como se tivesse descoberto algo que eu mesmo não sei. Não tomo ansiolíticos. Tomo café, silêncio, pensamento demais. Tenho preocupações como qualquer ser humano que respira e paga o preço de estar vivo. Mas nunca consegui aceitar com facilidade essas doenças abstratas, nomes que tentam dar forma ao que escapa. Depressão, ansiedade, rótulos que parecem caixas pequenas demais para aquilo que o peito sente. Sempre procurei agir em acordo com meus pensamentos, como quem tenta manter uma linha reta em terreno instável. Acreditei que coerência fosse uma espécie de proteção. Mas há algo que nos trai com delicadeza e crueldade ao mesmo tempo. O cérebro? Sempre ele! Ele lembra quando devia esquecer, cria fantasmas onde só havia portas fechadas, repete perguntas sem aceitar resposta. Tive muitos amores. Alguns interesseiros, outros sinceros ou pelo menos tão sinceros quanto conseguiam ser. Houve encontros que morreram por cansaço, outros por choque de gênios, como planetas que até se atraem, mas não sabem dividir a mesma órbita. Não carrego mágoa de todos. Carrego aprendizado de quase nenhum. Quanto ao amor aprendi, nem sempre falha por falta de sentimento. Às vezes falha por excesso de humanidade. E assim sigo não doente, não curado, apenas consciente. Sabendo que pensar demais cansa, mas pensar de menos custa caro. Sabendo que o coração sente, mas é o cérebro que insiste. No fim, talvez não seja ansiedade.

Talvez seja só a lucidez de quem amou muito e continuou inteiro o suficiente. Eu sou mais forte que eu.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Já não tenho tempo para pensar.

O tempo escorre turvo pelos dias e me atravessa sem cuidado.Dentro de mim, os sentimentos se misturam como águas inquietas,confusos, sem nome, sem margens. Acordo coberto por névoas de expectativa. Durmo com elas ainda coladas à pele, como se o amanhã fosse sempre uma promessa muda, incapaz de aprender a dizer quem é. Não sei se isso se chama solidão. Talvez seja apenas o silêncio ocupando o espaço onde antes havia sentido. Ou talvez seja saudade, da minha própria alma, quando ela ainda sabia falar comigo. Sinto a falta daquela voz interna que se reconhecia no outro, em qualquer rosto que chegasse trazendo bons fluidos, um rastro simples de esperança, um gesto leve de alegria. Hoje, caminho devagar dentro de mim, tateando a espessura da neblina, na esperança de que, em algum ponto do caminho, eu volte a me encontrar. Mas o tempo não espera. O tempo me observa. E, faminto, me devora entre verdades que pesam e ilusões que se desfazem como bruma ao sol.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A confiança é o alicerce de qualquer relacionamento duradouro.

A confiança sustenta laços, fortalece vínculos e dá sentido às relações que escolhemos cultivar ao longo da vida. É ela que permite caminhar com segurança, compartilhar sonhos e enfrentar desafios de mãos dadas. Valorize quem caminha ao seu lado com verdade, respeito e constância, pois a lealdade não se compra nem se impõe, ela se constrói no dia a dia, em gestos simples e atitudes sinceras. Em um mundo de relações frágeis, ser leal é um tesouro raro e precioso, capaz de transformar conexões comuns em histórias que resistem ao tempo.

domingo, 25 de janeiro de 2026

o silêncio que ensina a partir.

A falta de atenção no casamento não grita. Ela não discute, não acusa, não faz escândalo, desloca desejos. Também não trai.
Ela apenas se instala, devagar, como quem não quer ser percebida. É um olhar que não encontra mais resposta. Uma conversa que morre no meio da frase. Um toque que deixa de ser hábito e vira exceção. Nada parece grave o suficiente para acabar, mas tudo é pesado demais para continuar. A negligência silencia o amor.
Não porque ele desaparece de repente, mas porque ninguém o escuta quando ainda tenta falar. E nesse silêncio, um aprende a esperar. Espera por interesse, por presença, por cuidado.
Até que, cansado de pedir em silêncio, aprende algo ainda mais duro: o aprender a ir embora. Não vai por raiva. Não vai por orgulho. Vai porque ficar onde não se é visto também é uma forma de abandono. Às vezes, o fim não chega com portas batidas. Chega com o passo bem leve, quando o amor, ignorado por tanto tempo, finalmente entende que não é ali que deve morar.

 


quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

A força de quem comanda a própria vida.

Quem aprende a conduzir a própria vida já não se curva às circunstâncias. Essa verdade não me pertence, apenas ecoa no tempo. A força genuína não habita o controle do mundo exterior, mas o domínio sereno do próprio ser. O mundo muda, oscila, surpreende. Ainda assim, é na forma como atravessamos esses movimentos que revelamos quem somos. Governar a si mesmo pede silêncio interior, consciência desperta e disciplina paciente. É escolher com lucidez quando tudo pressiona, e manutenção da calma quando o chão parece instável e não permitir que emoções fugazes ou vozes externas conduzam o leme da alma. Quem cultiva esse domínio não se perde no ruído do caos, pois encontra abrigo dentro de si. Transformam pedras em degraus, dores em aprendizado e desafios em sementes de crescimento. Não se deixa arrastar pelo acaso. Assume os próprios passos, honra as escolhas e caminha com responsabilidade. Mesmo quando a incerteza se instala, permanece inteira em liberdade e consciente do próprio valor. A força de quem comanda a própria vida nasce no íntimo e se revela na coragem de seguir adiante com propósito, apesar dos ventos contrários. Que não nos entreguemos a escolhas subservientes, mas sejamos autores do próprio caminho.

 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Uma saudade que celebra o amor de mãe.

Hoje, dia vinte de janeiro de 2026, é um dia triste em nossas vidas.A nossa mãe, se viva fosse, estaria comemorando mais um aniversário. Creio que hoje meus irmãos também lembram, com carinho, dos momentos felizes que vivemos em nossa infância. Recordações que moram para sempre na memória e no coração. A Rua Cândido Benício, onde hoje funciona a Drogaria Raia, foi cenário de muitas brincadeiras e descobertas, assim como a saudosa Rua Doutor Carlos Gross, 139, palco de tantas alegrias, risos e aprendizados. Éramos pobres em bens materiais, mas imensamente ricos em afeto. Tínhamos o aconchego de um lar simples, porém cheio de amor, e uma educação firme e incansável, dada com dedicação pela nossa mãe, Moema, junto com nosso pai, José. Eles nos ensinaram valores que carregamos até hoje: respeito, honestidade, união e força diante das dificuldades. A ausência dói, mas a gratidão é maior. Moema vive em cada lembrança, em cada ensinamento e em tudo o que somos. Sua história continua viva em nós, seus filhos, que jamais esqueceremos o amor de mãe que nos formou e nos sustentou.

Quando a felicidade incomoda mais que a dor.

Ninguém se importa se você está doente, desempregado ou passando fome. A sua dor é sempre vista como algo distante, um problema seu, algo que pode ser ignorado com facilidade. As pessoas seguem suas rotinas, fazem seus julgamentos silenciosos e, no máximo, oferecem frases prontas que não curam, não alimentam e não pagam contas. Mas experimente ser feliz. Mesmo com pouco, mesmo em meio ao caos, mesmo sem atender às expectativas que o mundo impõe. Aí, sim, você vai perceber como isso incomoda. A felicidade fora do padrão, sem permissão, sem validação social, desperta olhares atravessados, críticas disfarçadas e perguntas cheias de veneno. Para muitos, é mais confortável ver alguém sofrendo do que alguém sorrindo sem motivo. A tristeza alheia justifica a própria frustração. Já a felicidade expõe ferida, revela invejas e escancara a verdade que poucos querem admitir: não é a sua dor que incomoda, é a sua capacidade de seguir em frente. Ser feliz, nessas condições, é quase um ato de rebeldia. É dizer ao mundo que você não se resume às suas falhas, às suas quedas ou às suas circunstâncias. E talvez seja exatamente por isso que incomoda tanto. Porque a felicidade, quando nasce onde só esperavam sofrimento, se torna um espelho que muitos não querem encarar.

 

 

A alegria como remédio natural.

O riso é uma das manifestações mais simples e poderosas do ser humano. Ele surge de forma espontânea, conecta pessoas e transforma momentos difíceis em experiências mais leves. Mais do que uma reação à alegria, o riso atua como um verdadeiro calmante natural, sem contraindicações ou efeitos colaterais. Quando rimos, nosso corpo libera endorfinas, substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar e prazer. Esse processo ajuda a reduzir o estresse, aliviar a ansiedade e diminuir a tensão muscular. Mesmo em situações adversas, uma boa risada pode mudar a perspectiva, trazendo equilíbrio emocional e clareza para enfrentar os desafios do dia a dia. Além dos benefícios emocionais, o riso também contribui para a saúde física. Ele melhora a circulação sanguínea, fortalece o sistema imunológico e estimula a respiração profunda, oxigenando melhor o organismo. Diferente de medicamentos, o riso não gera dependência nem provoca reações indesejadas. Quanto mais rimos, melhor nos sentimos. Rir é um ato simples, acessível a todos e extremamente eficaz. Cultivar momentos de alegria, valorizar o bom humor e permitir-se alegre de si mesmo são formas naturais de cuidar da mente e do corpo. Afinal, o riso é um calmante poderoso, gratuito e sempre disponível.

 

A ingratidão revela caráter.

A ingratidão é um dos comportamentos que mais revelam o caráter de uma pessoa. Quando alguém estende a mão, oferece apoio, tempo ou cuidado, age movido por valores como empatia, solidariedade e generosidade. Nesse sentido, quem ajuda cumpre seu papel humano e moral. O verdadeiro problema não está nesse gesto nobre, mas na postura de quem recebeu a ajuda e, mesmo consciente disso, escolheu não reconhecer. Reconhecer não significa devolver na mesma medida ou manter uma dívida eterna, mas demonstrar respeito e consciência. A gratidão é uma virtude silenciosa que reflete humildade e maturidade emocional. Quando ela falta, evidencia-se não a falha de quem ajudou, mas a limitação interior de quem se beneficiou e preferiu ignorar o bem recebido. Muitas vezes, a desvalorização do beneficiado nasce do orgulho, da conveniência ou do esquecimento intencional. Há quem apague da memória os momentos difíceis assim que alcança estabilidade, como se o apoio recebido nunca tivesse existido. Essa atitude não diminui o valor do gesto solidário, mas empobrece moralmente quem age dessa forma. Ajudar continua sendo um ato de coragem e humanidade, mesmo diante da possibilidade de ingratidão. A desconsideração pode não vir, mas o valor da boa ação permanece intacto. Afinal, a gratidão revela caráter, e a ausência dela também.

O sucesso encontra quem está em movimento.

O sucesso raramente surge para quem passa o tempo todo à sua procura. Ele costuma chegar de forma silenciosa para aqueles que estão ocupados demais trabalhando, aprendendo e evoluindo para se distraírem com a ansiedade de alcançá-lo. Enquanto alguns esperam o momento perfeito ou o reconhecimento imediato, outros seguem em frente, concentrados no processo e não apenas no resultado. Estar ocupado, nesse sentido, não significa viver sobrecarregado, mas comprometido. É dedicar energia às tarefas diárias, aceitar desafios e persistir mesmo quando os resultados ainda não são visíveis. Quem se mantém em ação constrói habilidades, cria oportunidades e desenvolve disciplina. Elementos que, juntos, atraem a vitória quase como consequência natural. Quando o foco está no crescimento constante, a prosperidade deixa de ser um objetivo distante e passa a ser um reflexo do caminho trilhado. Assim, quanto menos tempo se gasta procurando por ela, mais chances existem de encontrá-la. Afinal, a conquista prefere alcançar quem está em movimento, não quem apenas espera por ele.

A paz que o dinheiro não compra.

Existem tipos de luxos que não se exibem, não se medem em cifras e não podem ser adquiridos por contratos ou bens materiais, que para mim são as tranquilidades e a paz de saber que ninguém tem absolutamente nada para usar contra você. Essa tranquilidade silenciosa é fruto de escolhas diárias, de coerência entre discurso e prática, e de uma vida conduzida com retidão. Como síndico de um condomínio, aprendi que essa paz não é apenas um valor pessoal, mas uma necessidade funcional. Lidar com pessoas, interesses diferentes, conflitos e decisões coletivas exige transparência, ética e responsabilidade. Quando cada ato é pautado pela correção, não há espaço para receios, ameaças veladas ou jogos de bastidores. Há apenas a serenidade de quem sabe que pode responder por tudo o que faz e seguir essa determinação à risca significa cumprir regras, respeitar leis, ouvir, decidir com justiça e registrar tudo de forma clara. Significa dormir tranquilo, caminhar de cabeça erguida e enfrentar qualquer questionamento com a segurança de quem não deve explicações além da verdade. No fim, esse é o maior valor que carrego na minha consciência. Viver e exercer uma função de confiança sabendo que sua consciência está limpa. O dinheiro pode comprar conforto, mas jamais comprará a paz de uma reputação íntegra. Essa, quando construída com firmeza e constância, vale mais do que qualquer patrimônio.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Apenas vença!

Você pode ter enfrentado dificuldades, injustiças e quedas que quase te quebraram. Tudo isso é real, mas, fora da sua mente, isso não muda nada. As pessoas não medem seu valor pelo tamanho da sua luta, e sim pelo tamanho da sua conquista. É o resultado que fala por você quando as palavras já não bastam. Histórias tristes até despertam curiosidade por um momento, mas é a vitória que gera respeito. É o sucesso que cala críticas, fecha bocas e abre portas. Quando você vence, ninguém pergunta quantas vezes você chorou. Perguntam como você conseguiu. Use sua dor como combustível, não como desculpa. Transforme cada obstáculo em disciplina, cada queda em aprendizado e cada rejeição em força. Não espere aplausos pelo caminho difícil; espere reconhecimento ao cruzar a linha de chegada. No fim, o mundo não quer explicações. Quer provas. Então, pare de pedir compreensão. Pare de contar sua história esperando pena. Apenas vença.

O verdadeiro valor que somos.

A aparência pode impressionar os olhos, mas é o caráter que toca o coração. O dinheiro pode comprar conforto, porém jamais será mais valioso do que a felicidade sincera. Palavras podem ser belas e convincentes, mas são as atitudes que revelam quem realmente somos. E, acima de qualquer status ou reconhecimento, está a humildade. Virtude silenciosa que engrandece a alma. No fim, o que permanece não é o que mostramos por fora, nem o que acumulamos, mas a forma como vivemos, nos sentimos e tratamos os outros. É nisso que mora o verdadeiro valor da vida.

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Resultados nascem do aproveitamento de oportunidades.

 É comum associar o sucesso à capacidade de resolver problemas, mas os resultados mais expressivos surgem quando direcionamos nosso foco para o aproveitamento de oportunidades. Resolver problemas é essencial para manter o funcionamento e evitar prejuízos, porém raramente é isso que impulsiona o crescimento ou gera mudanças significativas. As oportunidades representam portas abertas para a inovação, o desenvolvimento e a criação de novos caminhos. Diferente dos problemas, que exigem uma postura reativa, as oportunidades pedem visão estratégica, iniciativa e coragem para agir. Quem aprende a reconhecê-las consegue transformar cenários comuns em experiências de sucesso. Focar exclusivamente em problemas pode limitar a capacidade de evolução, pois mantém a atenção voltada para falhas e obstáculos. Já o olhar atento às oportunidades permite antecipar tendências, explorar potenciais e alcançar resultados superiores. Assim, enquanto os problemas precisam ser resolvidos para garantir a estabilidade, são as oportunidades bem aproveitadas que constroem o crescimento sustentável e os resultados extraordinários.

 


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Quando me afasto é porque eu cresci.

Quando me afasto, não é para dar lição a ninguém. Eu me afasto porque quem aprendeu a lição fui eu. Aprendi que nem todo silêncio é fraqueza e que nem toda distância é frieza. Às vezes, é cuidado. É respeito por si mesmo. Aprendi que insistir onde não há reciprocidade cansa a alma. Que explicar demais para quem não quer entender só nos esgota. E que permanecer em lugares onde não somos valorizados custa mais do que ir embora. O afastamento, muitas vezes, é um ato de maturidade. É reconhecer limites, aceitar verdades e escolher a própria paz. Não é vingança, não é orgulho. É consciência. É entender que algumas batalhas não merecem mais ser travadas. Quem aprende a lição não precisa provar nada. Apenas segue em frente, mais leve, mais atento e mais inteiro. Porque crescer também é saber quando ficar e quando partir.

 

Aa penas da esperança.

A esperança é como uma ave que solta algumas penas em pleno voo. Não cai inteira, não desiste do céu, apenas segue leve, mesmo perdendo um pouco de si. Essas penas descem devagar, quase imperceptíveis. Vão lentamente atravessando o silêncio do tempo.Ao tocar o chão não fazem ruído; ao tocar a alma, fazem morada. São pequenos sinais de que ainda há calor no frio, luz no intervalo da noite, e força mesmo quando o voo parece cansado. A esperança não promete chegar primeiro. Ela apenas promete chegar.

 

domingo, 28 de dezembro de 2025

O verdadeiro caráter nasce da ação.

Não é nas palavras que ele se forma, nem nos discursos bem alinhados, mas no silêncio dos gestos cotidianos. A verdadeira personalidade se revela quando ninguém está olhando, na disciplina de continuar mesmo quando a vontade falha, na coragem de encarar o caminho que muitos preferem contornar. Ser constante é um pacto íntimo com quem somos. É levantar apesar do medo, avançar apesar do cansaço, agir mesmo quando a dúvida, insistentemente tenta nos paralisar. É nesse movimento discreto e persistente que se separa quem apenas diz de quem realmente vive. A índole não nasce em grandes feitos de forma isolada, mas nas pequenas escolhas repetidas dia após dia. Decisões quase invisíveis, simples, comuns e justamente por isso, tão poderosas, carregadas de emoções. É nelas que crescemos nos fortalecemos e esculpimos, pouco a pouco, a pessoa que estamos nos tornando. Cada atitude deixa uma marca. Cada passo escreve uma linha da nossa história. E no fim, não serão os vocábulos que nos definirão, mas as ações que sustentamos com constância. Porque entre ação e persistência é que a real essência nasce, se constrói e se revela na nossa existência. Não é nas palavras que ele se forma, nem nos discursos bem alinhados, mas no silêncio dos gestos cotidianos. O autêntico perfil se revela quando ninguém está olhando, na disciplina de continuar mesmo quando a vontade falha, na coragem de encarar o caminho que muitos preferem contornar. Ser constante é um pacto íntimo com quem somos. É levantar apesar do medo, avançar apesar do cansaço, agir mesmo quando a dúvida insistentemente tenta nos paralisar. É nesse movimento discreto e persistente que se separa quem apenas fala de quem realmente vive. O caráter não nasce em grandes feitos, mas nas pequenas escolhas repetidas dia após dia em decisões quase invisíveis, simples, comuns. E justamente por isso, elas são poderosas, carregadas de emoções. É nelas que crescemos nos fortalecemos e nos esculpimos, pouco a pouco, na pessoa que estamos nos tornando. Cada atitude deixa uma marca. Cada passo escreve uma linha da nossa história. No fim, não serão os vocábulos que nos definirão, mas as ações que sustentamos com constância. Porque é entre ação e persistência que a verdadeira têmpera nasce, se constrói e se revela na nossa existência.

 

Quando o amor muda de idioma.

De repente tudo terminou. Vida. Amor. Benzinho. Mozão. Bebê.Palavras que antes eram abrigo viram ecos. Cada relação cria seu próprio dicionário, um idioma íntimo, feito de apelidos, silêncios compreendidos e gestos pequenos que só dois sabem traduzir. Essa é uma das mais belas linguagens do amor: a de nomear o outro como quem cria um lugar seguro no mundo. Mas por que, então, um raio cai sobre os apaixonados? Por que, em frações de segundos, a ternura se transforma em turbilhão de desavenças? Talvez porque o amor não seja estático. Ele vive do encontro entre expectativas, medos, histórias mal cicatrizadas e sonhos que nem sempre caminham na mesma direção. Quando tudo vai bem, essas diferenças se acomodam, fazem acordos silenciosos. Quando algo se rompe, uma palavra mal colocada, uma ausência prolongada, uma verdade adiada, o idioma comum começa a falhar. O que antes era carinho passa a soar como cobrança. O que era cuidado vira peso. O raio não cai do nada. Ele se forma aos poucos, nas nuvens que se acumulam sem que ninguém queira olhar para o céu. E quando cai, assusta porque ilumina tudo de uma vez: aquilo que foi dito, o que nunca foi, e o que já não se sustenta. Ainda assim, mesmo depois da tempestade, ficam vestígios. As palavras não desaparecem; elas mudam de lugar. Deixam de ser chamadas e passam a ser lembranças. Doem, é verdade, mas também ensinam. Mostram que amar é aprender uma língua sabendo que, um dia, talvez, seja preciso desaprendê-la. E talvez a maior maturidade esteja nisso: reconhecer que nem todo dicionário é eterno, mas todo amor, enquanto existe, é real. Mesmo quando termina, mesmo sendo momentaneamente, poliglota do amor.

 

O corpo que envelhece e a mente que sente.

A resistência do corpo ao longo da vida é uma construção delicada. Não se trata apenas do passar dos anos, mas do acúmulo de experiências, esforços, perdas e adaptações que vão moldando o organismo e a mente. Com o tempo, aquilo que antes parecia simples exige mais cuidado, mais pausa e mais escuta. No corpo, surgem sinais visíveis e invisíveis. As articulações reclamam, as artroses aparecem, e as dores parecem percorrer um caminho inteiro, da cabeça aos pés. O metabolismo muda, o ritmo desacelera, e o que antes era força espontânea passa a ser equilíbrio conquistado dia após dia. Essas transformações não são falhas; são respostas de um corpo que trabalhou, sustentou e resistiu. A mente, por sua vez, também carrega suas marcas. A confusão mental pode surgir, associada a condições neurológicas, à ansiedade crescente ou à impaciência que nasce da frustração com limites novos. Há dias em que o peso emocional parece maior, e a tristeza profunda pode obscurecer o sentido das coisas. Nesses momentos, é essencial lembrar que sofrimento psíquico não é fraqueza. É um sinal de que algo precisa de cuidado. Envelhecer, portanto, é um processo complexo, que pede compreensão e apoio. O caminho não precisa ser solitário: informação, acompanhamento de saúde, vínculos afetivos e espaços de escuta fazem diferença real. Cuidar do corpo e da mente, aceitar ajuda e cultivar pequenas rotinas de bem-estar são formas de preservar dignidade e qualidade de vida. Apesar das dores e desafios, há também a possibilidade de reencontro consigo mesmo. Envelhecer pode ser aprender a viver com mais gentileza, respeitando limites e valorizando o que permanece essencial. É reconhecer a história que o corpo conta, não como um fim, mas como continuidade que merece cuidado, sentido e presença.

Ano Novo! Mais que números, um recomeço.

A mudança de ano não é apenas a soma de números no calendário. É uma pausa simbólica que a vida nos oferece para respirar fundo e recomeçar. Ao virar da página, deixamos para trás capítulos difíceis, aprendizados silenciosos e vitórias que nem sempre foram celebradas. O Ano Novo chega como um convite: rever escolhas, fortalecer sonhos e acreditar outra vez. Não se trata de apagar o passado, mas de usá-lo como base para construir um futuro mais consciente. Cada novo dia traz a chance de fazer diferente, de ser melhor consigo mesmo e com os outros. Recomeçar não exige perfeição, apenas coragem. Coragem para tentar de novo, para mudar o que for possível e aceitar o que não é. Que o novo ano seja menos sobre promessas vazias e mais sobre atitudes reais, pequenos passos e esperança renovada. Porque no fim, o verdadeiro ano novo acontece dentro de nós.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Quando a urna se abre e o ano se revela.

No princípio do ano, depositei em uma urna todos os meus desejos. Eram pedaços de esperança dobrados com cuidado, pequenos mapas de futuro escritos à mão, como se o simples ato de guardá-los fosse suficiente para que o tempo os reconhecesse. Fechei a caixa feita por mim com a fé silenciosa de quem acredita que o ano saberá o que fazer com aquilo. Agora, quando o ano que ora se finda pede passagem, abro a caixa. O som discreto da tampa parece maior do que é. Ali, diante de mim, repousam sonhos que não caminharam, projetos que não encontraram chão, planos que permaneceram intactos, não por estarem preservados, mas por nunca terem sido usados. Entre eles, havia um desejo de natureza mais sensível. Não era grandioso nem ruidoso. Era apenas a vontade de uma aproximação maior com alguém que admiro. Um desejo simples, quase humilde de  estar mais perto, dividir mais instantes, permitir que a convivência crescesse naturalmente. Mas esse papel também permaneceu ali, dobrado do mesmo jeito que foi colocado, intocado pelo tempo. Há uma melancolia tranquila em perceber que nem tudo o que se deseja encontra reciprocidade, que nem toda intenção encontra passagem. Algumas vontades esbarram em silêncios, outras se perdem na distância que não se mede em passos, mas em impossibilidades. O ano, sábio e indiferente, segue sem explicar suas escolhas. Ainda assim, ao reler cada desejo, compreendo que o não acontecido também ensina. Há aprendizados que só nascem da espera, outros da frustração, outros ainda da aceitação de que certas coisas não dependem apenas de nós. Algumas metas não se realizam porque não era o tempo. Outros porque precisavam permanecer como sonho. Fecho a pequena arca novamente. Não com ressentimento, mas com entendimento. O ano não me deu tudo o que pedi, mas me devolveu algo talvez mais valioso: consciência. E levo comigo a certeza de que, no próximo ciclo, os desejos serão menos ingênuos, mais verdadeiros, e talvez mais preparados para enfrentar o mundo fora da caixa. Porque, no fim, a vida não se mede apenas pelo que acontece, mas pelo que permanece em nós quando aquilo que esperávamos não veio a contento.

domingo, 21 de dezembro de 2025

O verdadeiro presente de Natal.

Em meio às luzes cintilantes, aos embrulhos coloridos e aos enfeites que decoram a árvore de Natal, existe um presente que não pode ser comprado nem embrulhado: a presença de uma família feliz. Mais valioso do que qualquer objeto, esse presente se manifesta nos sorrisos sinceros, nas conversas ao redor da mesa e no simples, porém precioso, ato de estar junto. O verdadeiro sentido do Natal surge quando o amor, o respeito e a união habitam o lar, transformando momentos cotidianos em memórias inesquecíveis. Enquanto os presentes materiais podem se desgastar ou perder o brilho com o tempo, o carinho vivido em família permanece guardado no coração, aquecendo lembranças e fortalecendo laços. É esse sentimento que faz do Natal uma celebração genuína, repleta de significado e esperança.

  

sábado, 20 de dezembro de 2025

Quando o giro muda o sentido.

Há coisas que acontecem na vida da gente e nos fazem enxergar além da dor. Sempre busquei validação para minhas escolhas, até entender que a escuridão também ensina. As adversidades me tornaram mais realista, mais comedido nos pensamentos. Por onde andei já não me pertence mais. Antes, minha vida era um carrossel: rodava e sempre voltava à mesmice. Hoje, escolho olhar para frente e seguir a luz, como faz o girassol, sempre em busca dos dias ensolarados.


sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

A ausência e a primavera tardia.

A chuva escorria pelo vidro da janela quando percebi que a primavera insistia em ficar. As árvores ainda floridas pareciam não se importar com o calendário, exibindo um entusiasmo quase provocador. Foi então que notei o outro detalhe da manhã: você não estava ali. Acordei sozinha. Sem o calor do seu corpo, sem o som da sua respiração tranquila que, tantas vezes, me arrancava um sorriso ainda de olhos fechados. A casa, cúmplice do silêncio, guardava um frio discreto deixado pela sua saída apressada. Era o trabalho, essa rotina que nos rouba minutos, horas, pedaços inteiros do dia, e agora também as primeiras luzes da manhã. Enquanto a natureza celebrava lá fora, meu travesseiro vazio fazia questão de lembrar que nem toda beleza consola. Às vezes, ela apenas acentua a falta. Na cozinha, o café exalava o aroma de sempre. O mesmo de todos os dias. Ainda assim, algo faltava. Seu riso. O “bom dia” dito quase em segredo. Olhei ao redor e percebi que a casa estava cheia de você: a toalha ainda úmida no banheiro, o livro esquecido na mesa de cabeceira, a desordem leve que só existe quando duas vidas se misturam. A solidão daquela manhã tinha gosto amargo, mas não definitivo. A primavera, teimosa e viva, parecia sussurrar que ausências também são passageiras. Que o dia avançaria, a chuva cessaria, e ao entardecer a porta se abriria outra vez. Então, como sempre, seu corpo encontraria o meu e necessariamente a casa voltaria a fazer sentido.