Conflitos armados raramente nascem da necessidade coletiva. Costumam
brotar da ambição inflamada de líderes que confundem honra com dominação. Uma
decisão tomada em gabinetes distantes transforma-se em ruínas, luto e cicatrizes
espalhadas por cidades inteiras. Enquanto discursos exaltados prometem glória,
famílias enterram sonhos sob escombros e aprendem a conviver com a ausência. A
disputa iniciada por interesses restritos atravessa fronteiras e alcança quem
jamais empunhou qualquer bandeira. Crianças crescem entre sirenes, mães contam
passos rumo ao abrigo, trabalhadores veem o sustento virar poeira. O preço não
recai sobre quem ordena, mas sobre multidões anônimas que pagam com sangue,
fome e deslocamento. Ao final das batalhas, não há triunfo verdadeiro. Restam
paisagens devastadas, economias frágeis e memórias difíceis de silenciar.
Medalhas não recompõem lares, tratados não apagam traumas. Depois que a última
arma se cala, permanece apenas a tentativa de reconstrução por parte de quem
resistiu. Assim, aquilo que começou como demonstração de poder termina como
prova de fragilidade humana. Não surgem campeões. Ficam pessoas marcadas pela
perda, tentando reaprender a viver entre sombras deixadas por decisões que
nunca lhes pertenceram motivadas por ideologias.