A alegria não se desespera. Ela fica quase em silêncio, dentro da alma que aprendeu a amar. Mesmo depois da perda, mesmo quando o vazio pesa, ela continua ali, frágil, mas viva. A alegria é a saúde da alma porque lembra que sentir ainda é possível, que o coração não morreu junto com quem partiu. A tristeza, essa companheira inevitável, não é inimiga quando chega como visita. Ela se senta ao lado, chora conosco e conta histórias do que foi amor. Mas quando permanece tempo demais, quando se torna morada, começa a envenenar o que ainda pulsa. Não porque a dor seja errada, mas porque a alma precisa de ar para continuar existindo. Ser viúva é carregar duas verdades ao mesmo tempo: a ausência que dói e a vida que insiste. A alegria, nesse lugar, não é riso fácil, mas um suspiro, uma memória doce, um instante de paz inesperada. É permitir-se sentir sem culpa, viver sem esquecer, amar a vida sem trair o passado. Que a tristeza seja ouvida, mas não coroada. E que a alegria, mesmo tímida, encontre espaço para cuidar da alma, como um gesto íntimo, lento e necessário.
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