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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Premiação para Assassinos

Num país distante onde o delito impera, foi construída uma penitenciária com vários módulos. Esse sistema permitiu que fossem agrupados vários infratores por modalidade de crimes. Na ala de assassinos o número era bem maior que em outras unidades ficando a cargo da direção os destinos que seriam dados a homicida com extensa ficha criminal, condenados a muitos anos de prisão, sem privilégios e sem direito a visitas. Esse quantitativo aumentava exorbitantemente ano após ano. Estudou-se a possibilidade de diminuir nessa dependência as hospedagens pagas com dinheiro publico dos contribuintes de bem. Lá, onde os jogos de azar reinavam, eles praticamente nada faziam. Ficavam por duas horas no banho de sol e quando eles retornavam a carceragem, a jogatina era o principal assunto. O custo para a manutenção desses criminosos era muito alto. Então o diretor geral, chamado Mustafá, o escolhido, teve a ideia de fazer semanalmente um sorteio, e aquele que ganhasse os vários jogos realizados entre eles seria liberado depois de passar pela ultima ala da prisão, sem retorno às demais, e se permanecessem por dois meses sem brigas seriam futuramente libertados. A ala da “premiação” era mais espaçosa, mais clara, indevassável e o local menos barulhento, razão pela qual todos sem exceção aderiram esse projeto, visando suas libertações. O sorteio era realizado normalmente aos sábados e na segunda feira o vencedor, apresentado pela ultima vez aos encarcerados para sua despedida, depois de uma breve oração patrocinada pelo pároco local. Muitos entregavam cartas endereçadas às famílias, prometendo estar em breve com elas. O primeiro felizardo foi Kaled, o imortal. Este estreou a prisão com várias passagens e seus assassinatos sempre cometidos com objetos cortantes, conforme sua ficha criminal. A ala da libertação era simples com alguns objetos e ao fundo, coberto por um grande biombo, um forno. A sua primeira vítima foi uma menina de dez anos, chamada Aysha, dado por sua mãe em homenagem a uma princesa. Ele entrou na casa da menina que estava brincando sozinha na sala e aproveitando-se da ausência de sua mãe, Zamira, que significa “amiga,” que fora ao mercadinho próximo à residência, caminhou sorrateiramente pela porta dos fundos onde fica a cozinha, apoderou-se de uma faca, e em seguida sem piedade, o facínora desferiu-lhe vários golpes sem chance de defesa para a vítima. Sendo encaminhado para a sua premiação, Kaled ficou por algumas horas, sentado no corredor pensativo e aguardando autorização para entrar. Ele imaginava como seria a sua nova vida e como seria o seu reingresso na sociedade. A sua surpresa foi maior quando Rashid, o justo, com voz firme fez a chamada do outro lado da sala. Ao entrar Rashid ordenou-lhe que tirasse as vestes e ficasse completamente nu e que ele deitasse numa maca, para alguns procedimentos. Disse Kaled: - Porque eu tenho que deitar? Respondeu-lhe Rashid: - Para entrar no novo prédio os prisioneiros devem estar limpos. Vou aplicar-lhe uma injeção em seguida você irá tomar banho e com as novas roupas que estão ali no armário, encaminhe-se para sua nova acomodação. Atendendo a seu superior ele cumpre as ordens, deitando-se na maca enferrujada com algumas marcas de sangue. Rashid então inoculou em suas veias um líquido avermelhado deixando Kaled meio tonto. Aplicou-lhe um sedativo para acalmá-lo. Quando Kaled acordou viu-se amordaçado na bandeja do forno crematório, completamente preso por algemas nos membros superiores e inferiores e em cima de seu corpo as cartas de seus amigos, ele desesperou-se com seu sangue pulsando com mais intensidade, gesticulava com os olhos quase revirados. Empurrado para dentro do forno, o bandido esperneava e urrava. Nisso, começou a descer lentamente um objeto com vários ferros cortantes e pontiagudos, com aproximadamente três centímetros que moldavam o seu corpo, com exceção da cabeça. Kaled havia cometido vinte assassinatos com arma branca então Rashid o justo, levantou e arriou o equipamento por mais vinte vezes. O corpo de Kaled todo ensanguentado, misturado às cartas, dava a certeza que ali seria o ultimo ato de sua vida. Os olhos esbugalhados do assassino fixavam o seu opositor com lágrimas compulsivas. Por fim, a tampa fechou-se, e pela escotilha, com o forno aceso observava-se vagarosamente por alguns segundos Kaled ainda com vida ser consumido a pó, juntamente com as correspondências presas a seu corpo, sob a supervisão de Mustafá, o escolhido e seu algoz, Rashid em patrocínio a justiça. Foi concedida ao imortal a sonhada libertação, livrando sua alma impura aos que seguem esse caminho. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

A difícil escolha

Senhores! Eu estou aqui na Suíça, enquanto me refugio do frio, criei essa pequena história de uma humilde família nordestina e trajetórias de suas vidas. Abraços a todos que me leem.


 Cansada de ser humilhada em seu próprio lar, dona Maria das Dores, limitou-se a vender doces caseiros, com a pequena economia que fora reservada com muito sacrifício, já que seu marido, José Ribamar, quatro anos após o casamento largara o emprego, abandonando tudo, vivendo frequentemente em estado de embriaguez. Com cinco filhos para criar ainda menores, encarava exaustivamente o tanque de alvenaria, sem emboço, com muitas roupas suas e da prole. O destino de Maria das Dores estava traçado quando se enamorou deste contumaz viciado. Mas, o amor, segundo ela superaria as dificuldades que enfrentariam quando surgissem após o casamento. O que houve na realidade foi um conflito no relacionamento de ambos nos seis anos que se seguiram e que Maria das Dores não imaginara a dimensão dos transtornos que foram acontecendo em sua vida. Inconformada com as atitudes de seu marido também pelos maus tratos resolve abandonar a casa com seus cinco filhos, indo morar de favor em outro povoado um pouco distante tentando uma vida melhor. As meninas Josilene, Irislene, Jucilene e Wandilene eram raquíticas e sempre estavam doentes. Já o Ornil o único filho homem nada poderia fazer, porque além de ser caçula da família, com poucos anos de vida, não entendia os desentendimentos do casal. Eles moravam no interior do Piauí, um vilarejo com um pouco mais de dois mil habitantes, curiosamente com nome de santo casamenteiro onde a família passara a viver modestamente da agricultura familiar. Com muitas dificuldades as crianças iam à escola, pois o povoado era muito longe do estabelecimento escolar. Josilene, a mais velha tinha um sonho de ser professora e dar uma melhor condição de vida à sua família. A Irislene, sua segunda filha tinha o sonho de ser medica. A Jucilene sua terceira filha gostaria de ser modelo, já a Wandilene gostaria de ser das forças armadas. O Ornil quando perguntado o que queria ser e sem entender dizia que queria ser “critor”.
Os anos iam passando e a situação da família insustentável, pois se com José Ribamar já estava ruim, que às vezes fazia biscates, sem ele ficara pior, pesando também a idade de dona Maria das Dores que continuava avançando. No decorrer dos anos as trajetórias dos irmãos também mudam. Eles procuram emprego e com muita dificuldade se alinham a nova realidade já que todos largaram a escola dificultando assim o espaço para competir vagas na pequena cidade em que residem. A adolescência foi sofrida e todos tentavam se ajudar procurando amenizar as angustia da mãe Maria das Dores. Já aos vinte anos Josilene se encanta por Valdecir, amor à primeira vista, ocasionado por festinhas de bairro, caso corriqueiro nessas regiões, um rapazinho de Santo Antônio dos Milagres e com relacionamento conturbado por ciúmes, pois o rapaz era bonito, participava de vaquejada e tinha muitas admiradoras, o namoro tinha suas idas e vindas. Na perspectiva de priorizar o seu amor ela comete o mesmo erro de sua mãe. Larga os estudos e se entrega de corpo e alma a Valdecir. A família de Valdecir era uma família com melhores recursos estruturais e financeiros. Seus pais, senhor Zeferino e dona Josefa, são fazendeiros e os cinco filhos: Valdecir, Severino, Jesuíno, Raimundo e Juciléia, todos encaminhados. Valdecir, formado em agronomia e nas horas vagas participa de eventos.
- Você promete que irá me amar para toda vida? Disse Josilene.      
    - Prometo não só amá-la com também fazê-la feliz! Disse Valdecir.
E através dessas juras de amor, resolvem em pouco tempo morar juntos mesmo sem aprovação de suas famílias, por serem muito jovens. Anteriormente por coincidência Valdecir apresentara Josilene e seus irmãos à sua família. Dessa apresentação os irmãos uniram-se aos sexos opostos, Severino namorava a Irislene, Jesuíno a Jucilene e Raimundo a Wandilene. Somente Ornil e Juciléia se olhavam, mas não se aproximavam. Em principio mesmo contra a vontade da família Valdecir e Josilene, os mais velhos da família obtinham a ajuda do seu Zeferino que era mais sensato que dona Zefa, apelido carinhoso dado pelo primogênito, sobre a situação que seu filho se encontrava. O seu Zeferino é acometido de uma doença rara e gravíssima e ele e esposa seguiram para a Teresina a fim de fazer um prolongado tratamento em rede hospitalar privada. Ambos com idade avançada foram acompanhados do jovem casal, para a capital. Nessas idas e vindas ao hospital Valdecir e Josilene foram ao quarto do senhor Severino e encontram o pastor Francisco. O pastor começou a explanar os verdadeiros milagres de Jesus e que não perdêssemos a fé em Deus que logo o senhor Zeferino ficaria bom. Eles fizeram uma oração e em seguida o pastor iniciou a sua peregrinação, visitando as alas do hospital. Na dificuldade de sustentar a todos, pois o dinheiro encurtara, Valdecir resolve ingressar para o estado, através de seu padrinho político Virgulino, amigo de longas datas de seu pai. Fora convidado para ser presidente de uma estatal do Piaui. A nomeação saiu em sequencia. Os meses se passam e o senhor Zeferino continua internado. Mesmo cercado de melhores médicos a doença avança gradativamente e as perspectivas são negativas para a sua recuperação. Novamente a família tenta a transferência do senhor Zeferino para o hospital das Clínicas de São Paulo. Lá eles recebem a noticia desagradável que o senhor Zeferino tem pouco tempo de vida. Dona Josefa fica muito triste com o diagnostico e depressiva adoece, ficando ambos internados no mesmo hospital. Valdecir e Josilene também brigam muito. Ele poderoso chefe da estatal, costumeiramente chega tarde a seu lar, viaja muito e constantemente longe da família. O poder e o dinheiro mudam de forma rápida as atitudes de Valdecir que só tem olhos para os amigos de classe superiores desprezando os desassistidos. Já no meio do ano depois de muitas expectativas de melhoras o seu Zeferino falece e nesse dia que era de visita todos puderam vê-lo pela ultima vez com vida. A vida continua e Severino acelerou nos estudos, cursou a faculdade de direito e formou-se advogado. Abriu um escritório e com Irislene já casada começam uma nova jornada em São Paulo. Ela como sua secretária e ele desenvolvendo o seus trabalhos na área cível.  
Já Jesuíno e Jucilene foram morar juntos em Teresina, como não quiseram continuar os estudos começam a trabalhar. Ele em uma farmácia e ela como ajudante de serviços gerais em uma grande escola particular. As atividades dos dois transcorriam tranquilamente, quando Jesuíno fora abordado por traficantes para roubar medicamentos de seu emprego para tratamento de traficantes locais. Apavorado e com medo de ser morto ele comete o primeiro crime. Furta vários medicamentos e daí se envereda para o caminho das drogas, é demitido da farmácia, porque fora filmado e  não observara que o local de trabalho era monitorado dia e noite por câmeras escondidas. Sempre ameaçado e tendo que mostrar expansão nas vendas de drogas ele é obrigado a lançar mão de outros meios, exigindo que a sua companheira vendesse drogas na escola. Ela também foi descoberta através de comentários entre a grande quantidade de alunos e foi chamada a secretaria da escola, aonde ela confirmou que vendia, mas não usava. A diretora da escola dispensou-a dos serviços que executava e a demitiu, chamou a policia, mas como ela não tinha elementos que comprovassem que estava comercializando as drogas esta foi liberada. Não tendo onde morar, o casal refugiou-se numa favela local onde o ponto de venda funcionava diariamente. Com desejo de ser modelo mais distante ela e seu companheiro são perseguidos pela policia, e como o crime não compensa eles são presos e autuados por envolvimentos com o tráfico. Ela é encaminhada para a penitenciaria feminina e ele para a masculina no mesmo complexo penitenciário no interior de Teresina. Jogados a própria sorte, eles recebem a visita do pastor Francisco que peregrina nos hospitais e prisões, levando palavras confortadoras da bíblia a seus irmãos.  As famílias não sabiam da vida que os dois levavam e só foram descobrir quando o pastor Francisco informara ao irmão de Jesuíno que o casal estava preso. Severino e Irislene sabendo da situação de seus irmãos viajam para Teresina no sentido de ajudá-los. Com a saúde debilitada e sabendo que a filha está presa, dona Maria das Dores é acometida de um infarto fulminante, vindo a falecer, A morte fatídica de dona Maria deixam todos consternados. Todos os filhos e noras comparecerem, inclusive Jucilene que fora liberada da prisão para o enterro da mãe, faltando apenas e ex-esposo, José Ribamar, que nunca mais fora localizado pela família. Esta chorava copiosamente pedindo perdão pelos erros cometidos. O casal aguardará o julgamento ajudado por Severino.
Já Raimundo e Wandilene estudaram, se formaram e ingressaram juntos para as forças armadas. Viajaram a serviço para quase todos os estados do Brasil e seguiram felizes. Tiveram  dois filhos Raiwan e Waníra e vivem felizes. Atualmente estão sediados no estado de Sergipe.
Perto das novas candidaturas politicas o padrinho de Valdecir, o senhor Virgulino perde poderes e ele acaba demitido da estatal, juntamente com seu afilhado politico. Valdecir tenta trabalhar em empresas de agronomia, sem sucesso. Mais tarde ele e Valdecir são arrolados e presos por desvios de verbas destinadas a diversas áreas sociais, onde permanecem até o julgamento. Nessa mesma oportunidade Valdecir se separa de Josilene que irá tentar uma nova vida em outro estado da federação. Dona Josefa vai morar na casa da filha caçula Juciléia. Ornil e Juciléia foram se conhecendo aos poucos, casaram-se e vivem felizes e no momento sem filhos.
Essa foi a historia das nossas famílias e nós "Ornil e Juciléia" vivenciando os dramas de nossos parentes. Os sonhos sucumbiram: Josilene não foi professora, Jucilene não foi modelo e Irislene também não estudou medicina. Os únicos que concretizaram os seus sonhos foram Raimundo e Wandilene. O pastor Francisco continuou com as suas pregações e de vez em quando visita as famílias.

É impressionante a determinação de Ornil que redigiu essa pequena história ajudado por sua esposa, e que desde criança gostaria de ser “critor”.