quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Onde o silêncio floresce a força desperta.

Vivemos em um tempo que confunde volume com valor. Gritos ocupam espaço. Opiniões se atropelam. Quem se impõe parece vencer. Mas existe um poder que não precisa se anunciar. Ele se recolhe. Respira. Observa. Não é ausência. É gestação. Território fértil onde ideias criam raízes antes de romper a superfície. Enquanto muitos reagem, ele compreende. Enquanto alguns correm, ele constrói. Entre o impulso e a decisão existe um território invisível, e é ali que nasce a lucidez. Há quietudes que brotam do medo. Outras nascem da consciência. Uma aprisiona. A outra expande horizontes. Escolher calar é dominar a própria tempestade. É conter o trovão no peito e ainda assim sustentar o céu limpo. É carregar um oceano interno sem transbordar sobre ninguém. É possuir argumentos cortantes e preferir maturidade em vez de confronto. Reserva é autoridade sem espetáculo. Convicção sem plateia. Estabilidade que não depende de aplauso. No recolhimento, projetos ganham estrutura. Sonhos se fortalecem longe dos olhares apressados. Estratégias amadurecem onde a pressa não alcança. Nem toda guerra merece lâmina. Algumas exigem serenidade. No recolhimento, aprende-se a ouvir o que o excesso encobre. Descobre-se que a resposta mais poderosa pode ser aquela que escolhe não ferir. Percebe-se que verdadeiro domínio começa no interior. Quem conhece a própria essência não disputa atenção. Quem reconhece o próprio valor não implora validação. Quem compreende profundidade não se curva à urgência. Quietude não é fragilidade. É raiz se aprofundando antes de sustentar o tronco. É brasa protegida antes de virar chama. É potência contida. É grandeza que não faz barulho, mas transforma tudo ao redor.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário