Há segredos que não cabem em livros nem se dobram diante de perguntas. A travessia acontece enquanto o sol desenha ouro nas janelas e a noite borda silêncio nas esquinas da alma. Querer decifrar cada gesto do destino é como perseguir bruma com redes de aço. O essencial escorre por entre os dedos e encontra abrigo somente em quem se permite sentir. O pulso sabe o que o pensamento não alcança. Há veredas invisíveis que surgem sob pés descalços, trilhas abertas pela coragem de avançar mesmo sem bússola. Quedas talham maturidade, incertezas acendem lanternas íntimas. Existir é dança breve sobre o chão do tempo. É mergulho sem garantias, abraço sem promessa de permanência, chama que arde apesar do vento. Talvez a grande arte esteja em render-se ao instante. Deixar que o mundo sempre aconteça dentro do peito, como maré que sobe sem pedir licença. Pois a vida não deseja explicação. Deseja entrega. Portanto, vivê-la é o enigma e a resposta.
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