Há situações em que alguém escolhe manter você por perto, não por sentimento genuíno, mas pela segurança que sua dedicação oferece. Não é entrega verdadeira. É conveniência silenciosa. Você demonstra cuidado, disponibilidade, constância. Está ali nos detalhes, na mensagem inesperada, na escuta atenta, na preocupação sincera. Enquanto isso, do outro lado, existe apego ao que você proporciona não ao que você é. Nem sempre a permanência significa escolha. Às vezes, significa medo de perder quem trata com carinho raro. Há quem sustente um vínculo apenas para não ver você oferecendo a mesma intensidade a outro destino. Não é paixão. É posse disfarçada de afeto. E quando essa percepção chega, machuca. Deprime entender que a entrega era profunda de um lado e confortável do outro. Que o investimento emocional não encontrava equivalência. Mas existe algo essencial nisso tudo. Sua capacidade de se doar não é excesso. Sua forma dedicada de sentir não é erro. Apenas está direcionada a quem não sabe sustentar o mesmo nível de compromisso. Relacionamento saudável não nasce de retenção, nasce de decisão. Não cresce por insegurança, cresce por vontade. Se for preciso partir, parta com dignidade. Porque haverá alguém que não apenas valorize sua presença,
mas faça questão de caminhar ao seu lado, com a mesma intensidade,
na mesma direção.
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