sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Já não tenho tempo para pensar.

O tempo escorre turvo pelos dias e me atravessa sem cuidado.Dentro de mim, os sentimentos se misturam como águas inquietas,confusos, sem nome, sem margens. Acordo coberto por névoas de expectativa. Durmo com elas ainda coladas à pele, como se o amanhã fosse sempre uma promessa muda, incapaz de aprender a dizer quem é. Não sei se isso se chama solidão. Talvez seja apenas o silêncio ocupando o espaço onde antes havia sentido. Ou talvez seja saudade, da minha própria alma, quando ela ainda sabia falar comigo. Sinto a falta daquela voz interna que se reconhecia no outro, em qualquer rosto que chegasse trazendo bons fluidos, um rastro simples de esperança, um gesto leve de alegria. Hoje, caminho devagar dentro de mim, tateando a espessura da neblina, na esperança de que, em algum ponto do caminho, eu volte a me encontrar. Mas o tempo não espera. O tempo me observa. E, faminto, me devora entre verdades que pesam e ilusões que se desfazem como bruma ao sol.

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