A falta de atenção no casamento não grita. Ela não discute, não
acusa, não faz escândalo, desloca desejos. Também não trai.
Ela apenas se instala, devagar, como quem não quer ser percebida. É um olhar
que não encontra mais resposta. Uma conversa que morre no meio da frase. Um
toque que deixa de ser hábito e vira exceção. Nada parece grave o suficiente
para acabar, mas tudo é pesado demais para continuar. A negligência silencia o
amor.
Não porque ele desaparece de repente, mas porque ninguém o escuta quando ainda
tenta falar. E nesse silêncio, um aprende a esperar. Espera por interesse, por
presença, por cuidado.
Até que, cansado de pedir em silêncio, aprende algo ainda mais duro: o aprender
a ir embora. Não vai por raiva. Não vai por orgulho. Vai porque ficar onde não
se é visto também é uma forma de abandono. Às vezes, o fim não chega com portas
batidas. Chega com o passo bem leve, quando o amor, ignorado por tanto tempo, finalmente
entende que não é ali que deve morar.
domingo, 25 de janeiro de 2026
o silêncio que ensina a partir.
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