Oi, tristeza! Faz tempo que não sinto o frio da sua mão pousar sobre a minha alma. Antes, você vinha como chuva insistente, molhando cada canto do meu ser, e eu, encharcado, acreditava que precisava de você para existir. Hoje, você retorna como um vento antigo, trazendo o cheiro de memórias que pensei ter enterrado. Não há mais as mesmas feridas abertas, mas ainda há cicatrizes que sabem o seu nome. Você se aproxima silenciosa, como quem não quer assustar, e me envolve num abraço que é ao mesmo tempo peso e lembrança. Talvez você não seja inimiga, mas mensageira. Talvez venha apenas para me lembrar que a luz é mais bela quando já se conheceu a escuridão. Então, sente-se, tristeza. Beba um pouco do meu silêncio, mas não se demore, O meu coração aprendeu a dançar melhor e sem apreensões quando você não está.
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