Um redemoinho atravessou a minha existência e arrancou do chão tudo aquilo que eu acreditava ser permanente. Diante de uma força implacável e esmagadora, vi meus caminhos desaparecerem, meus planos perderem o sentido e minhas certezas se transformarem em poeira. Nada parecia acontecer a meu favor. Segui sem mãos estendidas, sem amparo, sem um lugar que pudesse chamar verdadeiramente de meu. Senti-me como um apátrida da própria vida, alguém sem território onde fincar raízes, condenado a caminhar entre partidas e esperas. Havia momentos em que eu avançava apenas para descobrir que continuava no mesmo ponto, preso a uma estagnação que pesava sobre os ombros e silenciava qualquer esperança. Mas, quando já não encontrava forças para me erguer, surgiu uma mulher. Ela não apagou as ruínas nem fingiu que minhas feridas não existiam. Simplesmente permaneceu ao meu lado. Com sua presença, devolveu cor ao que parecia condenado ao cinza e despertou em mim a coragem de reconstruir aquilo que o caos havia destruído. Foi através dela que comecei a compreender que minha identidade não precisava permanecer presa ao passado. Eu poderia escolher novos contornos, novos sonhos, outra maneira de existir. Aquela mulher tornou-se uma espécie de ponte entre quem eu fui e quem ainda serei. Não me mostrou um caminho pronto; apenas me fez acreditar que ainda havia caminhos possíveis. O redemoinho levou muito de mim, mas não conseguiu carregar tudo. Restou uma pequena chama, quase invisível, esperando pelo instante certo para crescer. Hoje, mesmo sem saber exatamente para onde vou, começo a levantar os olhos. Talvez meu destino não esteja perdido. Talvez esteja apenas esperando que eu tenha coragem de desenhá-lo novamente, com outras cores, sob um céu que ainda não conheço. Aquela mulher é a fé e a resiliência que o redemoinho não conseguiu arrancar de mim. Hoje, mesmo sem saber exatamente para onde vou, começo a levantar os olhos. Talvez meu destino não esteja perdido. Talvez esteja apenas esperando que eu tenha coragem de desenhá-lo novamente, com outras cores, sob um céu que ainda não conheço.
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