segunda-feira, 23 de março de 2026

Entre desejo e limite.

Não sussurre meu nome ao infinito, mesmo que a saudade aperte o seu peito como segredo insistente. Não me transforme em abrigo, nem em resposta para qualquer ausência. Eu não represento salvação, sou mar aberto profundo, incerto, livre. Não me eleve ao altar dos seus ideais, pois toda idolatria carrega o peso de uma queda inevitável. E eu não nasci para despencar de alturas criadas por outra pessoa. Não se apaixone dessa forma, com pressa que confunde sentir com possuir. Você entrega ardor como chama viva, mas eu preciso de fogo que saiba durar sem consumir tudo ao redor. E, por favor, não desalinhe mais o compasso do meu coração. Ele já aprendeu, com o tempo, a bater no ritmo do possível não do que apenas flameja. Se ficar, que seja inteiro. Se partir, que seja leve. Mas não me torne destino quando ainda é tempestade.

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