Ninguém se importa se você está doente, desempregado ou passando fome. A sua dor é sempre vista como algo distante, um problema seu, algo que pode ser ignorado com facilidade. As pessoas seguem suas rotinas, fazem seus julgamentos silenciosos e, no máximo, oferecem frases prontas que não curam, não alimentam e não pagam contas. Mas experimente ser feliz. Mesmo com pouco, mesmo em meio ao caos, mesmo sem atender às expectativas que o mundo impõe. Aí, sim, você vai perceber como isso incomoda. A felicidade fora do padrão, sem permissão, sem validação social, desperta olhares atravessados, críticas disfarçadas e perguntas cheias de veneno. Para muitos, é mais confortável ver alguém sofrendo do que alguém sorrindo sem motivo. A tristeza alheia justifica a própria frustração. Já a felicidade expõe ferida, revela invejas e escancara a verdade que poucos querem admitir: não é a sua dor que incomoda, é a sua capacidade de seguir em frente. Ser feliz, nessas condições, é quase um ato de rebeldia. É dizer ao mundo que você não se resume às suas falhas, às suas quedas ou às suas circunstâncias. E talvez seja exatamente por isso que incomoda tanto. Porque a felicidade, quando nasce onde só esperavam sofrimento, se torna um espelho que muitos não querem encarar.
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