terça-feira, 26 de maio de 2026

O tempo e a flor.

Parecia um dia comum. Acordei alegre, com um sorriso leve no rosto. Os pássaros cantavam no jardim entre flores desabrochadas da primavera. Ali é meu refúgio, o lugar onde passo grande parte dos dias contemplando a natureza e essa bênção repleta de mistérios e verdades silenciosas. O tempo... Ah, o tempo! Esse companheiro implacável que tantas vezes nos atormenta e, pouco a pouco, nos faz definhar em processos dolorosos, trazendo enfermidades e reduzindo nossas forças até alcançar a mente, responsável por nossos sentidos e decisões. Ainda sentado em meu pequeno canto, percebi algumas flores caídas no chão e comecei a refletir. Teria alguém as arrancado? Teria sido o vento? Ou talvez a chuva? Mil pensamentos invadiram minha mente. O ciclo delas havia terminado. Antes tão vivas, recebendo o carinho dos beija-flores, agora permaneciam imóveis, perdendo a cor e deixando o canteiro menos vibrante. A vida também segue assim. Na juventude, existe a pressa de acumular conquistas e espalhar sonhos pelo caminho. O ser humano cresce carregado de vigor, esperança e ilusões. Porém, ao dobrarmos a curva da existência, o vento muda de direção. O tempo, severo e inevitável, transforma-se em subtração, consumindo lentamente a imensidão dos dias. E aquilo que parecia infinito começa, aos poucos, a diminuir. No silêncio do balanço final, a vida recolhe o que restou sobre a mesa. Ao término da estrada, no descanso sutil da alma, somos apenas memória, vestígio e verdade. Por isso, devemos viver intensamente o hoje. O amanhã poderá ser apenas restos mortais.

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